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A pesquisa de Thiago Fedacz Anastacio e Bruna Bonin investiga quais tipos de fontes são utilizados pelo jornalismo de checagem e verificação.
Conforme Beaudreau (2025), é possível compreender o trabalho de checagem como fact-checking político e debunking. No primeiro, o foco dos checadores se concentra na fala de atores políticos em entrevistas, debates, declarações públicas e afins (Beaudreau, 2025). No debunking, por sua vez, o trabalho é voltado para a verificação de conteúdos disseminados no meio digital, como fotos e vídeos tirados de contexto, conteúdos impostores e outras peças desinformativas online (Beaudreau, 2025).
Para além daquilo que é verificado e checado, questiona-se se há diferença nos recursos empregados pelos checadores para a verificação de determinado material potencialmente desinformativo. Tendo isso em vista, realizou-se uma análise de conteúdo categorial (Sampaio; Lycarião, 2021) de 58 conteúdos da agência Lupa. Tinha-se como ideia estudar os materiais de fact-checking e debunking publicados em um só mês. No entanto, devido ao número reduzido de publicações de fact-checking, optou-se por analisar todas as que foram postadas ao longo do primeiro semestre de 2025, enquanto as postagens de verificação ficaram restritas ao mês de maio do mesmo ano. A classificação foi realizada a partir de um livro de códigos construído por meio de trabalhos anteriores que investigaram a temática (Ferracioli, 2022; Marques et al., 2023).
Após a codificação independente entre os autores e resolução das divergências de classificação, notou-se que as fontes jornalísticas estavam entre as mais frequentemente usadas em ambos os tipos de conteúdo corretivo. Nos materiais de debunking, foram codificadas 351 fontes, sendo as de cunho jornalístico (127) as mais predominantes, seguidas pelas oficiais do Estado ou do Governo (94), sites da internet e buscadores (69) e redes sociais (30). A sociedade civil (9), ferramentas de verificação (6) e campo político (1) aparecem entre as fontes menos frequentes. Outras fontes que não se encaixaram no atual conjunto de classificações totalizaram 15.
Nos conteúdos de fact-checking político, por sua vez, foram codificadas 317 fontes, sendo as oficiais (137) mais predominantes. Na sequência aparecem as jornalísticas (123) e sites da internet e buscadores (24) como as mais frequentes. Nos materiais de checagem, percebeu-se a menção do responsável pelo conteúdo potencialmente desinformativo, aqui representado pela Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal (Secom), que foi mencionado por meio de notas em uma tentativa de justificar algumas das falas do presidente Lula. Fontes a partir de redes sociais (8) e outras não classificáveis por meio das categorias atuais (17) estiveram entre as menos frequentes.
A partir dos resultados obtidos, nota-se a quantidade significativamente superior de conteúdos de debunking em relação aos de fact-checking político, o que representa a chamada “virada do debunking” (Graves; Bélair-Gagnon; Larsen, 2023; Beaudreau, 2025), cujo foco atual das organizações se concentra na verificação de conteúdos virais online. Para além disso, o uso frequente de fontes jornalísticas e a autorreferência aos próprios conteúdos publicados pela Lupa (visto em 83 fontes codificadas) trazem como questionamento se, em um contexto de descredibilidade do jornalismo, o uso desse tipo de fonte é a melhor estratégia para a checagem e verificação de conteúdos.
REFERÊNCIAS
BEAUDREAU, Joseph. Historical Shifts and Present Tensions: Reconfiguring the Fact-Checking Field Between Political Accountability and Debunking Online. InMedia. The French Journal of Media Studies, n. 10, 2025. Disponível em: <https://journals.openedition.org/inmedia/3393>. Acesso em: 30 de jun. 2025.
FERRACIOLI, P. JORNALISMO DE CHECAGEM DE FATOS COMO INTERMEDIÁRIO DA TRANSPARÊNCIA PÚBLICA: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE PAÍSES. E-Legis − Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação da Câmara dos Deputados, Brasília, DF, Brasil, v. 15, n. 38, p. 106–126, 2022. Disponível em: <https://e-legis.camara.leg.br/cefor/index.php/e-legis/article/view/758>. Acesso em: 29 jul. 2025.
GRAVES, Lucas; BÉLAIR-GAGNON, Valérie; LARSEN, Rebekah. From public reason to public health: professional implications of the “debunking turn” in the global fact-checking field. Digital Journalism, v. 12, n. 10, p. 1417-1436, 2024. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/21670811.2023.2218454>. Acesso em: 23 de jun. 2025.
MARQUES, Francisco Paulo Jamil et al. Who is who in fact-checked conspiracy theories? Disseminators, sources, and the struggle for authority in polarized environments. Journalism, v. 25, n. 4, p. 856-880, 2023. Disponível em: <https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/14648849231165579?casa_token=1T2grWFzfYQAAAAA%3ABosGCSPxECmQWyPezBVAgSwLtjQxqFW1FNXBjWysBlqzsz82-Qc14_OPD5EqjJgKSb7pVgFqZN5U>. Acesso em: 29 de jul. 2025.
SAMPAIO, Rafael Cardoso; LYCARIÃO, Diógenes. Análise de conteúdo categorial: manual de aplicação. Brasília: Enap, 2021. Disponível em: <https://repositorio.enap.gov.br/handle/1/6542>. Acesso em: 03 de dez. 2024.





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