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O estudo de Rafael Rocha investiga como gênero, conservadorismo e comunicação digital se combinam no sucesso eleitoral de mulheres da direita nas eleições municipais de 2024. A partir da análise da vereadora mais votada de Fortaleza, Priscila Costa (PL), a pesquisa identifica como arquétipos femininos — especialmente o Maternal e o Guerreira — são articulados a valores conservadores, fundamentalismo religioso e símbolos nacionalistas

Nas eleições municipais de 2024, o centrão, a direita e a centro-direita se destacaram ao dominar a maioria das prefeituras e câmaras de vereadores do Brasil.

A participação feminina cresceu, mas ainda está longe da paridade. Dados da plataforma de estatísticas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que as mulheres representaram 15% das candidaturas à prefeitura, 23% das candidaturas a vice-prefeito e 35% das candidaturas a vereador.

Observa-se, ainda, o crescimento de perfis de mulheres conservadoras eleitas. Entre eles, este artigo analisa Priscila Costa (PL), eleita vereadora mais votada de Fortaleza, com 36.226 votos.

Esse fenômeno é relevante, uma vez que os dados do TSE sobre as eleições para o legislativo fortalezense também evidenciam a sub-representação feminina. Embora representem 55% do eleitorado, as mulheres corresponderam a apenas 36% das candidaturas e ocuparam somente 21% das cadeiras na Câmara Municipal (9 de 43 vagas), o que aponta para barreiras estruturais à competitividade eleitoral das candidaturas femininas.

Do ponto de vista comunicacional, os pesquisadores Rafael Rocha e Luciana Panke buscaram analisar a candidatura de Priscila Costa, com foco em suas estratégias de comunicação eleitoral e na construção de sua imagem pública. O objetivo é compreender como a vereadora mobiliza questões de gênero e valores conservadores para dialogar com seu eleitorado.

A metodologia adotada é a análise de conteúdo (Sampaio; Lycarião, 2021), com base em duas abordagens complementares: (i) a tipologia das candidaturas femininas proposta por Panke (2016), que identifica arquétipos femininos nas campanhas eleitorais; e (ii) os elementos ideológicos acionados pela direita radical, conforme Rocha (2020). A análise incide sobre postagens no Instagram durante o período eleitoral de 2024, dada a crescente importância da plataforma na comunicação política (Parmelee; Roman, 2019; Recuero et al., 2021).

Figura 1– Elementos ideológicos da Direita Radical (Rocha, 2020)

Entre os principais achados, a categoria de apoio a figuras da direita radical foi o principal elemento ideológico mobilizado, com a candidata associando sua imagem a um movimento conservador nacional, enfatizando alianças políticas e o uso recorrente de símbolos nacionalistas. Esse posicionamento se vincula a uma trajetória histórica do ultraconservadorismo no Brasil, bem como ao fundamentalismo religioso, apresentado por meio de uma identidade cristã que legitima sua atuação pública. A literatura aponta que tais discursos encontram maior ressonância em regiões periféricas e entre eleitores evangélicos, especialmente em pautas relacionadas à defesa da família, à rejeição ao aborto e à resistência a debates sobre gênero e sexualidade.

Por fim, a análise mostrou que 24,32% das postagens associadas ao arquétipo Guerreira acionaram o nacionalismo, enquanto 50% das vinculadas ao arquétipo Maternal mobilizaram o fundamentalismo religioso, relacionando maternidade à fé cristã e à moral tradicional, com ênfase na oposição ao aborto. Esse padrão indica o uso estratégico de valores morais, papéis tradicionais de gênero e símbolos patrióticos como forma de legitimação política, sobretudo entre eleitoras evangélicas, inserindo-se em um contexto mais amplo de disputa simbólica na participação política feminina.

A pesquisa completa foi publicada em dossiê sobre radicalização política da revista Aurora: arte, mídia e política. Para ler a pesquisa completa, clique aqui.