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Tag: boatos

Mitos políticos nos boatos das eleições presidenciais de 2018

Posted on 20 de novembro de 202020 de novembro de 2020 By cpop
Comunicação Política

Uma categorização de 27 boatos como Complô, Salvador, Era de Ouro ou Unidade

Renan Colombo

A circulação de boatos durante a eleição presidencial brasileira de 2018 foi um fenômeno que, entre outras características, notabilizou-se pela incidência de mitos políticos diversos. Entendemos mito a partir de três perspectivas: antropológica, semiológica e política – sendo esta última a de nosso maior interesse.

Este comentário analisa, em 27 boatos verificados e desmentidos pelo Projeto Comprova durante a campanha eleitoral de 2018, a presença de mitos políticos de quatro categorias específicas de Girardet (1887): Complô, Salvador, Era de Ouro e Unidade. É empregada a metodologia de análise de conteúdo do tipo categorial temática (BARDIN, 1977), com abordagem qualiquantitativa.

Começamos apresentando as diferentes perspectivas de compreensão de mito. Em sentido antropológico, o mito é entendido como uma estrutura complexa e paradoxal de pensamento não racional destinada a representar, de modo simbólico, experiências coletivas do homem (CASSIRER, 1976). Volta-se a cumprir três funções essenciais: moral, fortalecendo tradições; sociológica, encobrindo incongruências históricas e justificando hierarquias sociais; e prática, preenchendo pragmaticamente lacunas emocionais relacionadas, principalmente, à incompreensão da realidade metafísica (MALINOWSKI, 1988).

Pelo prisma semiológico, o mito é visto como uma deformação de linguagem que se presta à apropriação ideológica (BARTHES, 2001). De modo mais exato, atua de modo a se estabelecer como um sistema semiológico segundo, apoiado em sistema linguístico já constituído, que o precede e que é, pois, deturpado (BARTHES, 2001).

Finalmente, em perspectiva política, o mito é inicialmente descrito por Sorel (1993), que o caracteriza como um instrumento de percepção da realidade de função mobilizadora, inclinado à luta política. Girardet (1987), por sua vez, descreve a mitologia política como uma manifestação de imaginário com caráter explicativo que promove um reordenamento psíquico assentado em emoções de modo a sugestionar um mundo compreensível e claro.

Girardet (1987) identifica quatro categorias principais de mitos políticos: (1) Complô, que se constitui de teorias conspiratórias; (2) Salvador, formado por narrativas de teor messiânico e heróico; (3) Era de Ouro, baseado em discursos de viés nostálgico e reacionário; e (4) Unidade, que reúne relatos centrados na ideia de união, pacificação e homogeneidade.

Para a análise de dados, criamos uma desenho metodológico em que cada categoria de mito correspondente a quatro subcategorias, sendo uma do tipo “código” (manifestação sígnica explícita, por meio de palavras) e três do tipo “significação” (descrição e/ou alusão a elementos característicos de cada narrativa mítica política específica), como mostra o quadro 1.

Quadro 1 – Categorias de análise

Fonte: autor (2020).

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