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Autor: cpop

Hashtags, demandas e apoio político nas eleições de Curitiba

Posted on 19 de fevereiro de 201929 de março de 2022 By cpop
Eleições

Interações nos comentários de Facebook na disputa pela prefeitura em 2016. (Post de 07/04/2017 migrado do antigo site do CPOP) O desenvolvimento das redes sociais digitais alterou o modo de difusão da informação política. Os meios de comunicação tradicionais – que antes detinham maior controle sobre a produção e disseminação de conteúdo informativo – agora precisam concorrer pela atenção dos usuários também com partidos, candidatos e até mesmo com outros internautas (MARQUES; SAMPAIO, 2011). A euforia quanto aos efeitos desta nova lógica na qualidade do debate público, no entanto, logo deu lugar à noção de que, nas redes sociais digitais, os usuários tendem a compartilhar conteúdos com os quais já concordavam. O resultado seria a filiação a grupos com os quais o usuário tem afinidades políticas e não, de fato, a discussão de opiniões divergentes. Estudos como o de Mendonça e Cal (2012) apontam para a homofilia em redes sociais digitais como o Facebook, em que há resistência dos usuários a expressões de oposição. A tendência de formação de grupos like-minded também aparece nas páginas de veículos de comunicação nas redes sociais, mesmo que associadas a outras formas de interação. Nichols (2015) aponta que, nos comentários em posts do jornal Folha de S. Paulo relacionados às eleições de 2014, 40,2% das participações durante o primeiro turno da campanha foram categorizadas como radicalização, isto é, como reações negativas à postagem ou a um comentário de um outro participante. Na mesma pesquisa, contudo, o autor demonstra que, no segundo turno da eleição de 2014, o que predominou foi a persuasão: 73,4% dos comentários demonstravam que o usuário foi persuadido ou tentava persuadir seu interlocutor. Nos dois períodos, porém, destaca-se que poucos comentários (17,3% no primeiro turno e 8,4% no segundo) citavam outra postagem mencionando novos argumentos e promovendo, assim, um diálogo entre os interlocutores.  Dessa forma, tendo como pano de fundo este debate acadêmico, o CPOP apresenta, a partir da semana que vem, uma série de comentários sobre o uso do Facebook nas eleições municipais de Curitiba em 2016, trazendo comentários da semana que tratam do comportamento dos comentaristas em posts nas páginas do Facebook de candidatos à prefeitura de Curitiba em 2016 e das páginas dos principais veículos de comunicação da cidade. Os dados foram coletados durante os meses de campanha eleitoral, entre agosto e outubro de 2016. Serão apresentadas nas próximas semanas informações a respeito dos oito candidatos à prefeitura de Curitiba: Ademar Pereira (PROS), Gustavo Fruet (PDT), Rafael Greca (PMN), Ney Leprevost (PSD), Maria Victória (PP), Requião Filho (PMDB), Tadeu Veneri (PT) e Xênia Mello (PSOL) que chegaram ao final da campanha. O total de comentários nas páginas dos candidatos foi de 101.273, distribuídos como indicado na tabela 1 a seguir. Pode-se perceber na tabela 1 acima que a página do candidato Rafael Greca no facebook representou quase metade (46,8%) do total de comentários publicados nas páginas de todos os concorrentes. Depois dele, segue Gustavo Fruet, com 19,2% do total e Ney Leprevost, com 13,7% do total de comentários. Depois de coletados, os comentários foram submetidos a uma análise de conteúdo quantitativa. Os resultados das análises feitas a partir do banco de dados coletado serão expostos em sete textos publicados a partir da semana que vem, começando por uma análise sobre o uso de hashtags pelos comentadores. Os posts seguintes trarão informações sobre os temas abordados pelos comentários dos diferentes candidatos, salientando os temas que mais apareceram e as interações entre usuários e candidatos. Com isso, pretendemos apresentar respostas às perguntas: que candidato foi mais citado nos comentários? Como os comentadores trataram cada um dos candidatos? Quais foram os temas mais abordados nas páginas dos candidatos? A que temas os nomes dos candidatos foram vinculados nos comentários no Facebook? Como as presenças deles se alteraram ao longo da campanha? Essas e outras questões começam a ser abordadas dia 14/4, em comentários semanais feitos por pesquisadores da equipe CPOP. REFERÊNCIAS MARQUES, Francisco Paulo Jamil Almeida; SAMPAIO, Rafael Cardoso. Internet e eleições no Brasil: rupturas e continuidades nos padrões mediáticos das campanhas políticas online. Revista Galáxia, São Paulo, n. 22, p. 208-221, dez. 2011. MENDONÇA, Ricardo Fabrino; CAL, Danila. Quem pode falar no Facebook? O “autocontrole” em um grupo sobre o plebiscito acerca da divisão do estado do Pará. Revista Debates, Porto Alegre, v.6, n.3, p. 109-128, set.-dez. 2012. NICHOLS, Bruno Washington. Eleições 2014: uma análise dos comentários relacionados aos principais presidenciáveis no Facebook da Folha de S. Paulo. 43 f. Trabalho de Graduação (Bacharelado em Ciências Sociais) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2015.

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