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Autoimagem e propostas dos candidatos ao governo do Paraná

Posted on 17 de janeiro de 202031 de julho de 2020 By cpop
Comunicação Política

Uma análise dos temas presentes no HGPE de 2018

Renan Colombo

A mais recente campanha para o governo do Paraná, em 2018, foi disputada por nove candidatos e ocorreu, de forma regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 16 de agosto e 6 de outubro, com o pleito sendo realizado em 7 de outubro. O Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) em rádio e televisão aconteceu durante 35 dias, de 31 de agosto a 4 de outubro. Este comentário analisa, a partir de dados coletados pelo grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (CPOP), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as temáticas presentes no HGPE de primeiro turno dos 9 candidatos ao governo do Paraná. O objetivo é identificar a frequência de cada tema no espaço utilizado pelas candidaturas.

Os candidatos, com seus respectivos partidos e coligações, foram: Cida Borghetti (PP, Coligação Paraná Decide); Dr. Rosinha (PT, [sem coligação]); Geonísio Marinho (PRTB, Coligação Unidos pelo Paraná); João Arruda (MDB, Coligação Paraná: Emprego, Educação e Combate à Corrupção); Jorge Bernardi (REDE, Coligação do Bem e da Verdade para Mudar o Paraná); Ogier Buchi (PSL, Coligação Pátria Brasil); Prof. Ivan Bernardo (PSTU, [sem coligação]); Prof. Piva (PSOL, Coligação PSOL-PCB) e Ratinho Junior (PSD, Coligação Paraná Inovador). O pleito foi vencido por este último, em primeiro turno, com 59,99% dos votos (total de 3.210.712 votos).

A veiculação das propagandas para o cargo de governador(a) do Paraná ocorreu às segundas, quartas e sextas-feiras, em dois blocos de 10 minutos cada, nos seguintes horários: entre 7h16 e 7h25, e 12h16 e 12h25, no rádio; e entre 13h16 e 13h25, e 20h46 e 20h55, na televisão. Cada candidato teve 30 inserções em rádio e 30 inserções em televisão, ao longo de 15 dias, distribuídas igualitariamente entre segundas, quartas e sextas-feiras. A distribuição do tempo destinado a cada candidatura foi feita pelo TSE, da seguinte forma: 90% do tempo foi dividido com base no número de representantes dos partidos na Câmara Federal e os 10% restantes, de forma igualitária (TSE, 2016).  No caso específico das eleições de 2018 para o governo do Paraná, a divisão teve a seguinte configuração: Cida Borghetti: 3’20; Ratinho Júnior: 2’30; João Arruda: 1’51; Dr. Rosinha: 1’12; Ogier Buchi: 0’12; Prof. Piva: 0’10; Geonísio Marinho: 0’09; Jorge Bernardi: 0’09; e Prof. Ivan Bernardo: 0’05.

O HGPE “é considerado um recurso de campanha importante por muitos autores, inclusive em países onde não há espaço regulamentado para os partidos”, sobretudo no que tange à exposição realizada em cadeia nacional de televisão (CERVI, 2011, p. 108). Assim, torna-se relevante compreender de que forma foi utilizado pelas candidaturas.

O uso do HGPE pelos candidatos busca, naturalmente, gerar-lhes benefícios eleitorais, o que remete ao conceito de “capital político” de Bourdieu (1989, p. 167-168, grifos do autor), entendido como o “crédito firmado na crença e no reconhecimento ou, mais precisamente, nas inúmeras operações de crédito pelas quais os agentes conferem a uma pessoa – ou a um objeto – os próprios poderes que eles lhes reconhecem”. Nesse sentido, o HGPE pode ser tomado como um “agente” que realiza “operações de crédito” para conferir visibilidade e ampliar o “capital político” dos indivíduos que retrata.

A análise identificou 28 temas presentes, com domínio do item Imagem do candidato, que foi o tema líder nas campanhas de todos os candidatos e que correspondeu a 49,28% do tempo total utilizados por todas as candidaturas somadas, conforme detalha o gráfico 1, abaixo.

Fonte: autor (2020).

É interessante notar que os candidatos que, dentro do próprio HGPE, proporcionalmente mais utilizaram o recurso da própria imagem, em volume superior a 50% do tempo total, foram os 5 que dispunham de menor tempo, tal qual apresenta o gráfico abaixo. O destaque é Prof. Ivan Bernardo (PSTU), que exibe a própria imagem em 75% do tempo.

Fonte: autor (2020).

Outro fenômeno interessante é que, excluídas as categorias de imagem (que são 7: adversário, candidato, cidade e região metropolitana, eleitor, estado, país, partido) e de metacampanha (que são 4: apelos ao engajamento do eleitor, cenas externas de campanha, pedagogia do voto, pesquisa eleitoral), têm-se 18 categorias que tratam de temas específicos de interesse público, que constituem objeto de manifestação de opinião e/ou de formulação de propostas pelos candidatos. Nesse recorte, os temas mais recorrentes foram saúde (9,95% do tempo total), mulher (5,38%) e cardápio de variedade de políticas públicas (4,50%), tal qual representado no gráfico 3, abaixo.

Fonte: autor (2020).

Entre todos os candidatos, apenas dois não mobilizaram, em seus espaços de HGPE na televisão, nenhuma temática específica de interesse público, quais sejam Ogier Buchi (PSL) e Prof. Ivan Bernardo (PSTU). Em relação aos demais, houve variação na temática mais recorrente, conforme detalhado no quadro 1.

Quadro 1: Tema de interesse público mais utilizado por cada candidato(a)

Fonte: autor (2020).

Diante do exposto, este texto conclui que o uso de HGPE pelos candidatos(as) ao governo do Paraná em 2018 se centrou na imagem dos postulantes, com espaço secundário ao debate de temas de interesse público ‒ duas candidaturas não mobilizaram nenhum tema sequer. Ademais, quando o uso de tais temas acontece, é feito de maneira bastante fragmentada, sem preponderância de nenhum debate em particular.

Por fim, ressalva-se que este comentário não encerra a discussão sobre as temáticas utilizadas no HGPE por candidatos(as) ao governo do Paraná no respectivo pleito; pelo contrário, constitui-se de uma abordagem inicial e exploratória do tema, imbuída do propósito de fomentar novos olhares e abordagens sobre o objeto.


Leia também:

Boatos nas eleições presidenciais de 2018: confirmados ou refutados?

HGPE 2018: estratégias dos candidatos nanicos para governo do Paraná


Referências bibliográficas

BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1989.

CERVI, E. O uso do HGPE como recurso partidário em eleições proporcionais no Brasil. Opinião Pública, v. 17, n. 1, p. 106-136, 2011.

TSE. Novas regras eleitorais: mudanças no cálculo do tempo do horário no rádio e na TV. Disponível em: <http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2016/Maio/novas-regras-eleitorais-mudancas-no-calculo-do-tempo-do-horario-no-radio-e-na-tv>. Consultado em: 12 out. 2019.

Tags:eleições 2018 eleições majoritárias governo estadual HGPE Paraná

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