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Categoria: Política Geral

Para onde foi o trabalhismo nos Partidos de Direita?

Posted on 11 de abril de 202611 de abril de 2026 By cpop Nenhum comentário em Para onde foi o trabalhismo nos Partidos de Direita?
Comunicação Política, Política Geral

O pesquisador Miguel Quessada investiga os partidos que passaram por um reposicionamento de imagem e nome nos últimos doze anos (2017 a 2025). Entre os achados, um chamou atenção: os partidos que mantinham o trabalhista no nome:  PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil), PTN (Partido Trabalhista Nacional) e PTC (Partido Trabalhista Cristão). Criado em 1945, o PTB original era o braço partidário do projeto de Getúlio Vargas. Sua missão era clara: ser a ponte entre o governo e os sindicatos, servindo de contraponto tanto ao avanço do comunismo (PCB) quanto à oposição liberal (UDN). Era o pilar do “Queremismo” e a casa oficial do trabalhismo varguista (Gomes, 2002). Com o passar das décadas, o trabalhismo se fragmentou em siglas que buscavam outros caminhos: Ao contrário das siglas que tentavam herdar o nome, outros partidos preferiram apagar o passado para se reinventar. É o caso do PTC. O partido, que nasceu como Partido da Juventude e foi o PRN de Fernando Collor, mudou de nome e de marca justamente para se distanciar de antigas heranças e crises políticas, focando em uma imagem mais moderna e desvinculada das raízes sindicais. Ao observar os documentos de base desses partidos (estatutos, manifestos e afins), criou-se um livro de código com as pautas defendidas. No caso dessa análise, foi selecionada três variáveis ligadas ao trabalhismo: defesa dos trabalhadores, apoio aos sindicatos e direito à greve. O quadro a seguir mostra como as pautas foram tratadas antes e após o reposicionamento.  O cenário pré-reposicionamento mostrava agremiações que, embora com intensidades distintas, mantinham o compromisso programático com o mundo do trabalho: Após o reposicionamento, o termo trabalhista sumiu não apenas da nomenclatura, mas da pauta dos partidos. Não é uma mera coincidência, mas uma estratégia de reposicionamento escolhida para distanciar do nome trabalhista. O objetivo central parece ser o distanciamento de qualquer associação simbólica ao Partido dos Trabalhadores (PT), buscando um espaço no espectro político mais à direita ou ao centro-direita., evitando assim, qualquer associação à esquerda. Na época da mudança, tanto o antipetismo como o bolsonarismo estavam em alta. Essa limpeza programática ganha contornos críticos com as discussões sobre a escala 6×1. Ao abandonarem suas bases trabalhistas históricas, essas legendas deixaram de carregar as bandeiras de proteção ao trabalhador. O reposicionamento, portanto, consolidou uma mudança de identidade que prioriza a conveniência eleitoral em detrimento da representação histórica de classe.

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