O pesquisador Rafael Rocha analisou como a campanha permanente se desenvolveu no TikTok durante o período de pré-campanha das eleições municipais brasileiras de 2024. A pesquisa questiona a visão tradicional de que a campanha permanente seria um fenômeno linear ou totalmente estático, buscando compreender como eventos conjunturais, perfis ideológicos e o próprio calendário eleitoral moldam os discursos dos parlamentares. Com a redução do tempo oficial de propaganda e a flexibilização promovida pela Minirreforma Eleitoral de 2015, a fronteira entre o ato de governar e o de fazer campanha tornou-se cada vez mais tênue. a ascensão das plataformas digitais e a reconfiguração das regras eleitorais no Brasil têm transformado profundamente o modo como a política é comunicada. Esse cenário dialoga diretamente com o conceito clássico de campanha permanente, introduzido por Blumenthal (1980) e aprofundado por Norris (2000), no qual a lógica eleitoral passa a governar a comunicação política diária. Nesse novo ecossistema, moldado pelo que Chadwick (2013) conceitua como um sistema de mídia híbrido, os atores políticos comportam-se como candidatos constantes, utilizando as redes sociais para manter a visibilidade digital e o engajamento contínuo. Ao analisar empiricamente um corpus de 970 vídeos publicados nos perfis de cinco influentes congressistas e candidatos a prefeituras de capitais (Guilherme Boulos, Maria do Rosário, Amom Mandel, André Fernandes e Abílio Brunini), a pesquisa revela padrões fundamentais sobre a estratégia digital na rede. Entre as descobertas, destaca-se a forte adesão de pré-candidatos de oposição ao discurso focado em ataques e críticas aos seus adversários políticos. Esses números demonstram que, longe de ser apenas um espaço para conteúdos lúdicos ou virais, o TikTok serviu como uma arena central de embate simbólico antecipado. No entanto, a pesquisa demonstra que a campanha permanente não é homogênea: enquanto candidatos oposicionistas priorizaram a crítica, a aproximação das eleições fez aumentar a apresentação de propostas e a presença em sabatinas, provando a existência de uma comunicação adaptativa e altamente dinâmica ao longo do tempo. Diante da urgência em compreender como as plataformas e seus algoritmos remodelam a democracia e a disputa eleitoral no Brasil, o trabalho oferece contribuições valiosas tanto para pesquisadores da comunicação política quanto para observadores do cenário eleitoral. Convidamos todos à leitura na íntegra deste artigo para aprofundar as discussões sobre o papel do TikTok na pré-campanha e os novos rumos da comunicação política contemporânea. A investigação foi realizada em parceria com os pesquisadores Daniel Kei Namise, Fernando Antonio Egert, Raquel Mirian Pereira de Souza e Michele Goulart Massuchin. O artigo “Padronização ou dinamismo? A campanha permanente no Brasil em 2024”, publicado pela revista E-Compós (v. 27, e3311, 2026), pode ser lido aqui. Referências BLUMENTHAL, Sidney. The Permanent Campaign: Inside the World of Elite Political Operatives. Boston: Beacon Press, 1980. CHADWICK, Andrew. The Hybrid Media System: Politics and Power. Oxford: Oxford University Press, 2013. NAMISE, Daniel Kei; EGERT, Fernando Antonio; SOUZA, Raquel Mirian Pereira de; SILVA, Rafael Rocha Alves da; MASSUCHIN, Michele Goulart. Padronização ou dinamismo? A campanha permanente no Brasil em 2024. E-Compós, v. 27, e3311, 2026. DOI: https://doi.org/10.30962/ecomps.3311. NORRIS, Pippa. A Virtuous Circle: Political Communications in Postindustrial Societies. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
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